Sábado, Janeiro 27, 2007
Assumi: Tenho motivos de A a Z. (eXceto X):
A - André de Leones revelou minha verdadeira identidade tirando toda graça do pseudônimo;
B - Bonitinho, oras bolas! Aqui em Minas é feio, mas arrumadinho.
C - Clara? Nem na pele, nem nas idéias, nem na moral. Não posso fazer parte do governo deste Reino;
D - De mal gosto demais essas bolhas, já estava cansada de olhar para elas;
E - Eu não me leria se me deparasse com template tão brega!
F - Fantasia por fantasia o que sou é mais eterno. Chega de ficar mudando;
G - Gean Queiroz questionou a referência infantil, disse que não combinava comigo. Ele me conhece bem e desde que falou isso fiquei com a pulga atrás da orelha;
H - Há muito tempo venho querendo fazer um blog temático a partir de um conto de Nelson Bond. Quando tive essa idéia tinha acabado de criar o Reino e resisti a mudança.
I - Inspiração que veio com força após mudança de Miss Janis;
J - Joguei o blogger fora;
L - Loucura por loucura minhas contradições assumidas divertirão mais;
M - Monteiro Lobato eu amo, mas não é o meu preferido. Estou muito mais na França com Cortázar e Mademoiselle Beauvoir;
N - Não tenho motivos para me esconder atrás de um pseudônimo;
O - Odeio autotirania;
P - Parei de me mutilar, nada de castrações. Eu sou mulher porra!;
Q - Quero dominar o mundo e não só um reino;
R - Rentabilidade. Ser livreira junta o útil ao agradável;
S - Sinceridade fica difícil quando se usa uma máscara;
T - Tem muita Narizinho na rede!;
U - Uordpres é muito mais legal;
V - Vejo um novo começo todo dia, por que não iria mudar?;
X - Xereca! Não tenho um motivo com X;
Z - Zente, o conteúdo não vai mudar! Vai lá me fazer uma visita!!! Já levei todos vocês para lá... Estou esperando...
E assim, depois de terminar o Pentateuco da Bíblia dos Céticos decreto:
Escrito por Narizinho
Sexta-feira, Janeiro 26, 2007
A Bíblia dos Céticos
Extraído do livro Deuteronômio
Farauta, sempre quando dá, sai da fila. E para as pedras em segredo troca as funções das palavras. Acha as árvores poucas. Por isso gosta de espalhar mudas ou colocar uma semente de tal espécie dentro da semente de espécie qual para enterrar e ver surgir o fruto talequal. Também brinca de aporrinhar o nada com alguma coisa de forma que tudo é segredo a sete chaves muito bem espalhadas entre as amigas. Quebrar cabeça significa pular do alto da cachoeira até o lago: Enquanto os pés estão no ar, ela é nua. Enquanto os pés afundam na água, ela se diz coberta.
Escapulida fez-se esquecer junto das amigas. Sem saudades do que se faz desinteressante morre para a comum idade e de louros vai se fazendo rainha. Quem mandou nascer tão safadinha? Ali vai a regência da harmônica desordem e a parafasia que faz a verdade paralela à realidade de difícil acesso. Que se importa o feito ou o que se virá quando mesma se realiza? Segue para não a aporrinharem. Dentro de si guarda um reino. Assim, sempre quando invisível, furta-se da fila.
Acontece que as coisas quanto mais distraídas se fazem mais belas para o homem. Foi assim desde o gênesis... E de tudo o que o homem admira ele adora. E de tudo que ele adora põe moldura combinando com o seu all star. E o danado é bom carpinteiro! Ilude fazendo juras de gerúndio - que é uma forma de infinito. Propõe abraços irrefutáveis e colos apoteóticos, certezas, mariolas, cigarros e TV a cabo... Tudo, tudo que Farauta sempre se julgou incapaz de tal forma que sempre se empurrava para fora da fila para não se entristecer.
Mas agora ela tem uma chance. Por isso Farauta diz sim a ele, inocente como a Branca de Neve que morde a maçã. Senta-se ao lado homem e faz parte de si, agora, ser mulher. Pelos olhos do parceiro descobre estética e ética. Descobre meio e fins. Descobre sanha. Descobre propriedade. Descobre tamanho. Descobre tártaro. Descobre medo. Descobre idade. Descobre lágrima. Descobre utilidade. Sempre a vemos muito atarefada e pouco ela brinca com as amigas. Mas ainda é a única que sabe como fugir da fila e de vez em quando assim o faz para lembrar o ser bonita.
Escrito por Narizinho
Quinta-feira, Janeiro 25, 2007
Há uma mágica no leite condensado, uma medida exata, que é a sedução em seu sentido mais literal. Uma colher nunca satisfaz, mas duas enjoa. Eis aí a metafísica do desejo. Vez em quando voltamos a boa e velha latinha contra toda e qualquer previsão de engordarmos e ficarmos feios. A primeira colher é o nirvana. A segunda tal qual uma necessidade de prolongá-lo. A terceira nem tão boa. A quarta já perdeu a graça. A quinta, eu detesto... Até morrer de saudade daquele sentimento de felicidade que dura uma colherinha apenas, para ser mais exata, a primeira. Acho que o amor é assim como leite condensado.
Escrito por Narizinho
Segunda-feira, Janeiro 22, 2007
Mateus era um menino que pensou, no verão, ter inventado a fórmula do guaraná antártica com um monte de palavras bonitas enfileiradas na mesma seqüência empregada por alguns poetas e velhos filósofos. Por isso quem o conheceu lembra sempre de sua imagem: sentado na beirada do meio-fio com sua garrafinha (tão pura e natural) cedendo golinhos meticulosamente medidos por apertões no canudinho.
Na primavera, se me falha a seqüência exata, quando ele via uma flor amarela, branca, rosa, ou mesmo rara azul ou preta, ele logo lhe cuspia aos berros belos adjetivos para que se enrubescesse. Afinal não sabia como fazer diferente daquele livro em que o menino cativava uma flor vermelha. Só não imitava a responsabilidade da personagem, antes trocava fácil por vaidade e somava, assim, uma coleção numerosa de flores rubras.
Se era inverno só se apaixonava por moça de biquíni, se verão só valia moça de casaquinho, de tal forma que seu grande amor sempre devia estar do outro lado do mundo para não coincidir as estações e as ruas. Era assim de não compartilhar sonhos que ele se orgulhava de brincar sem arriscar um arranhão. E se o chamassem de covarde ou coisa menor ele logo deixava crescer um bigode alemão para que afastasse despertando o medo para evitar a mínima ameaça de invasão do seu castelo.
E no outono, que coisa triste, comandava o batalhão de folhas kamikazes deixando todo o arvoredo peladinho. E os frutos ele ignorava até apodrecerem sem ao menos provar um pedaço. Dizia que só assim as sementes se viam livres para germinarem, mas na verdade ele tinha era medo de que, até mesmo um pedacinho de morango ou maçã, escapasse da trajetória do sistema digestivo e chegasse perto do seu coração.
# Meu amigo, poeta e preguiçoso (porque não tem blog), André Monteiro disse que esse meu texto acima é um "assassinato com perícia". Texto escrito no antigo Candongas não fazem festa foi um desabafo, na verdade. Depois de me cansar de Arlequim mandei aos diabos o Pierrot também e me transformei nesta princesa deste humilde reino que vos recebe. Achei-o aqui no meu computador e descobri que meu amargo pode ser muito doce. Julguem vocês mesmos...
Escrito por Narizinho
Sábado, Janeiro 20, 2007
Coisa medíocre é a lapiseira que acha que a beleza se mantém reciclando só a grafite para manter a aparência. Sábio é o lápis que dá tudo o que tem e consome-se em perfeito equilíbrio por fora e por dentro!
Escrito por Narizinho
Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
Enquanto a lua acendia estrelas, ele me explodia feito fogos de artifício. E como purpurina esfarelada no ar minha pobre alma perdia-se. Quando eu o encontro, é sempre assim: formamos encantos de festa junina que se quebram com o nascer do dia. E aos diabos o fim! Sou sempre capaz de sorrir. O que não significa que sou como as pessoas de açúcar, que mesmo com sombrinhas, disputam marquises.
Escrito por Narizinho
Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
Vida de relógio
O relógio da minha casa
só faz taque taque taque.
Diferente do som
que os livros disseram que fazia.
Não existe mentira.
É o relógio da minha casa
que se curou
e não tem mais tempo para tiques...
Escrito por Narizinho
Segunda-feira, Janeiro 15, 2007
Precisava fazer um agradecimento público. Este menino fez isso na mais pura sinceridade. E vindo dele, que tanto admiro, puxa vida... Me deu vontade de escrever feito uma louca. Mas não como um chimpanzé - risos - porque fiquei muito comovida. Obridada não cabe aqui, André de Leones. E dizem que os curitibanos não são calorosos... tisc tisc tisc. Tolinhos!
Escrito por Narizinho
Diz uma lenda de estatísticos ingleses que se colocássemos seis chimpanzés a martelar seis máquinas de escrever, estes escreveriam dentro de um milhão de anos todos os livros do Museu Britânico. Os chipanzés, datilografando sem parar, acabariam por copiar todos os livros escritos pelo Homem. A explicação se dá pelo fato de que haveria tão poucas combinações possíveis de letras e números que eles teriam de acabar escrevendo todas as obras já escritas. Decerto que escreveriam também uma infinidade de coisas sem nexo, bobagens e seqüências aleatórias de letras, mas entre elas estaria o texto de todos os livros do Museu Britânico. Mais, se um dos chipanzés conseguisse copiar um livro até quase a última sentença e deixasse esta de fora, provavelmente ele recomeçaria tudo de novo até incluir a última sentença. Agora resta-nos acreditar e supor que um dia nossas bobagens dará em algo genial se escrevermos muito e sem parar...
*Adaptação do conto Lógica Inflexível, de Russel Maloney.
Onde: Maravilhas do Conto Fantástico, seleção de José Paulo Paes.
- Contos que vão de autores até então desconhecidos por mim como Nelson Bond, amados como Ray Bradbury e Poe além de inusitados contos fantásticos de Aluízio Azevedo (tem um link ali - Demônios - à direita, debaixo do desenho do caderninho) e, pasmem, Drummond. Vocês querem? Não dá, comprei no sebo e tá esgotado. Sabe o que ainda é mais legal? A capa parece de revistinha de quadrinhos trash... Ah, a editora é a Cultrix, casos vocês queiram procurar apesar de tudo.
Escrito por Narizinho
Domingo, Janeiro 14, 2007
a clockwork orange
socializado, domesticado, adestrado, encoleirado, vegetariano, crina podada, quero não. limpo, responsável, paterno, instituído, de rimas fáceis, quero não. dominical, familiar, apreciador de Djavan, regenerado, cor de rosa, quero não. quadrado, comercializado, de rígidos horários, de ferradura nos pés, bonzinho, happy end, quero não. anti-bizarro, patético, piegas, estudioso, sem catarro, resolvido, quero não. que nem peida, sem guitarra megalomaníaca, sem piada, com politica e diplomacia, ex-fumante e ex-alcoólatra, quero não. crente, não dança, distante da última, medroso, acadêmico, empregado, quero não. elogiado, leve, analisado, de futuro brilhante, novela das nove, poetinha manjado, attlético, sai pra lá. de paz encontrada, garantido, seguro, lícito, cutie cutie, que nunca esmaga formigas... já não tem nada a fazer comigo.
Escrito por Narizinho
Sábado, Janeiro 13, 2007
Coisa feia é inseto. Coloque uma lupa na cara de uma borboleta e você terá pesadelos. No entanto, se colocar a dita (ou até formigas, gafanhotos, moscas ou mariposas) em seus escritos, verá que tudo fica tão bonito que chega a beirar a magia. Tipo assim: fale de cigarras suicidas, de moscas fugazes, de formigas arquitetas, de gafanhotos generais e Marias que pousam... Pronto! Os coitados que todos esquecem ser sacros (pois são criações divinas) logo terão restituída sua nobreza. E tem lá seus encantos os bichos peçonhentos também.
Por exemplo:
Quando uma formiga faz sombra, já se acha importante. Por isso que em sua maioria, sem privilégio de espécies, elas gostam de carregar coisas grandes. Mas como vai tudo muito pesado na suas costas, elas mal podem olhar para os lados para contemplar suas sombras monumentais.
Escrito por Narizinho
Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
Verbetes retirados da Pequena Enciclopédia Nacional do Reino das Águas Claras (Penarac*)
- Desilusão: substantivo abstrato feminino, designa uma espécie de inclinação de espírito que nos permite enxergar melhor; (fig.) cair das nuvens ou das estrelas.
- Sinceridade: outro substantivo abstrato feminino, agora estamos falando de uma espécie de declínio de espírito quando decidimos ser mais severos, porém leves, com a nossa vida; elem.de comp. designativo de crescer, tomar coragem.
- Obsessão: mais uma vez substantivo abstrato feminino, que tanto pode ser objeto de estudo de ciências como pode ser um verbo que designa o atropelamento de si mesmo para mudar o que não pode ser mudado; capacidade humana sobrenatural de deter mudanças; antôn. revolução.
Escrito por Narizinho
Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
A bíblia dos céticos
Trecho retirado do capítulo do Números ou um pequeno tempo para a publicidade de jeans, desodorante, refrigerante ou tudo aquilo que couber.
Sempre três vezes. Ela foi à casa do recente ex-namorado guiada por uma forte carência - gastara todas as maneiras de supri-la. Só lhe restava sucumbir. Estática diante da campainha, a única que intermediava o passado e o presente, ela meditava sobre uma forma de ser racional, como se razão evitasse sofrimento. Olha para rua em busca de uma resposta. É assim que uma idéia lhe ocorre: "Eu apertarei a campainha se dentre três carros que passarem um for vermelho". Não... Hesita. Por que três e não quatro?Afinal quatro são os pontos cardeais, quatro são as estações do ano, quatro são os elementos - água, terra, fogo e ar, quatro são as fases o homem - nascimento, crescimento, maturidade e velhice, quatro são as espécies celestes, quatro são as espécies terrestres, quatro são as espécies aéreas, quatro são as espécies aquáticas, quatro são os anos necessários para formar o ano bissexto e etc. Está bem! Grita dentro da sua cabeça um cansaço (enfim útil para alguma coisa): "Um número par poderia ocasionar um empate e não teríamos uma resposta".
Então porque não o cinco ou o cabalístico sete ao invés de três? Aaaaaaaaaaai! Aquilo não teria fim... Jogar uma moeda, melhor que carros. Funciona com o I Ching, né? Cara, sim vou lutar pelo meu grande amor; coroa, não vou me humilhar. Mas e se a primeira resposta não for a certa? Uma chance em... Ah, não lembrava a probabilidade da estatística. Melhor então jogar a moeda três vezes para ter certeza. De novo três? Que mania! Quando ia comprar quindim na padaria sempre eram três. Será que era por causa da crença de São Longuinho? Desde criança ela dava três pulinhos para o santo lhe restituir uma coisa perdida. Mesmo o I Ching... Para desenhar um hexagrama era preciso seis linhas (duas vezes três). Olhou para o braço, um jogo de pulseiras. Jamais usaria só duas ou uma, mas três é o mínimo.
Lá na Grécia tinha cerca de 120 tríades míticas (40 grupos de três). Também na mitologia escandinava três divindades do destino dividiam o cosmo em três partes distintas. No Egito Osíris, Ísis e Hórus e no hinduísmo Brahma, Vishnu e Siva. Por que nenhuma vinha lhe socorrer? Três são as línguas sagradas, três são as épocas da história humana: passado, presente e futuro... E por falar nisso, o que fazer? A numerologia diz, tenta ela se convencer, que a terceira vez é a do encanto, porque este é um número considerado por milênios como mágico. Por isso bater na madeira três vezes para isolar um mau agouro. E, como não pode deixar de ser, na numerologia, o três denota tanto harmonia espiritual quanto energia sexual. É uma espécie de energia transcendente e geradora. Hum, bem sugestivo!
Então decidiu voltar aos carros e optou pelo três para fazer a intuição falar. Mas e se passar um fusca rosa, um Passat amarelo e um Gol verde abacate? Escolheu o vermelho porque estava na moda, isso não poderia acontecer. E, enfim, decidida garantiu: "Se tudo der errado dessa vez, ainda volto outras duas vezes mais por garantia".
Escrito por Narizinho
Domingo, Janeiro 07, 2007
Andar com um samba grudado como catarro na cabeça. Admirar-se. Amo desenhar na parte branca do meu conga com caneta bic. E com meu conga riscar as calçadas da cidade onde moro. Blazer vermelho foi feito sob medida para se usar com flor no cabelo e mãos no bolso. E para ainda ser melhor este domingo, ter a capacidade de escutar, apesar das sirenes nervosas e canos de descarga tísicos, o sino tenor de uma igreja ao longe.
Escrito por Narizinho
Sábado, Janeiro 06, 2007
Depois da chuva Fernando passa à pé
Te vi atravessando a ponte
sobre o brilho do asfalto molhado
o guarda-chuva era brinquedo
de faz de conta Charlie Chaplin.
Foi um tempo que a chuva deu
para nós: você passar e eu te ver
como aquela criança
que já não dá mais para lembrar.
Escrito por Narizinho
Sexta-feira, Janeiro 05, 2007
Correspondências com o Sr Cosima
Texto do antigo Candongas não fazem festa...
O senhor Cosima é um pigmeu. Foi ele quem libertou Dumbo da Disney e, como gratidão e por hábito de carrossel, o elefante voador, desde então, carrega o pequeno humano por toda circunferência da Terra.
De tempos em tempos ele me visita em meu castelo - sim, eu moro em um - onde executamos alegres tertúlias com a Condessa Amathía. Por causa da presença desta senhora de gestos rígidos e coração podre, sempre, eu e o senhor Cosima, deixamos de trocar nossas letras, o que justifica, ao lado da saudade e distância, nossa correspondência de palavras póstumas.
O senhor Cosima gosta muito de ensinar e eu mais ainda de aprender. Outro dia em meu jardim ensinou-me que uma língua morre quando tem mais serventia para a cabeça do que para o coração.
Uma vez também me narrou em uma carta que encontrou terroristas árabes na Escandinávia. Ele se aproximou do grupo por conforto em estar perto de outros encardidos. "Grande ingenuidade é dar prioridade de confiança às semelhanças de tom de pele!", lamentou. Vocês acreditam que os malvados tentaram seqüestrar Dumbo para conseguir sementes para plantar a estátua da liberdade no Iraque? Astuto e paciente, o Sr Cosima os convenceu que ninguém mais lembrava-se de Dumbo nos Estados Unidos e, portanto, jamais eles trocariam tão valiosas sementes pelo elefante. Após três luas de negociações eles libertaram Dumbo. De lá o Sr Cosima e seu amigo foram para o Japão porque um menino garantiu que Jaspion destruiu todos os terroristas daquele país. No entanto, o homúnculo continuou aborrecido. No Japão tem terremotos! E me ensinou mais uma lição: "Lugares muito fantásticos como Los Angeles e Tóquio provocam muitos terremotos e invasões extraterrenas".
Foi na Escandinávia que ele também aprendeu que pessoas muito loiras - loiras para valer sem água oxigenada - são o fruto do cruzamento de homens com focas. É por isso que quase não tem esse tipo de gente aqui no Brasil. Quase, né! Porque de vez em quando uma foquinha se extravia do bando e vem parar na Baía de Guanabara e no litoral do Rio grande do Sul.
Tanta sabedoria do Sr Cosima é porque ele tem 3.745.321.000.006 anos platônico e, além de ter conhecido Aristóteles em sua infância nas tocas subterrâneas do Hindustão, foi aluno de Quíron. Ficou séculos e séculos sem ir à Grécia e só retornou lá nas últimas olimpíadas para ver a Björk cantar. Mas acabou ficando muito triste ao ver que tudo estava mudado e que até os deuses tinham morrido. Só sobraram mesmo os efeitos especiais...
Na Indonésia, ele me disse, o esgoto é tão poluído de agentes químicos que se você jogar uma lagartixa no ralo do banheiro ela se transforma em um Godzilla. Isto aconteceu há quase dois anos lá. Parece que uma menina deixou cair um desses répteis na privada e a tal lagartixa virou um jacaré gigante. Como o país é pequeno, todo o encanamento do país entupiu a ponto de fazer tudo explodir. Dizem que o réptil era de uma tal família chamada Tsumani.
O Sr Cosima é muito rico e me ensinou o segredo da sua fortuna: "Se você comprar um chiclete todo dia com uma nota de 100, 50, 20 ou 10 reais, sua carteira estará sempre cheia".
Outro dia Dumbo estava com a auto-estima baixa. Sentia-se gordo e insatisfeito com o tamanho das orelhas. Sr Cosima achou melhor lhe revelar então um grande segredo: Dumbo é a reencarnação do elefante branco de seis garras que revelou a Mayã, que Buda nasceria do seu ventre. Agora Sr Cosima anda com medo de que Dumbo não freqüente mais churrascarias com ele. Pobre Sr Cosima!
O Sr Cosima adora presentear. Disse que vai trazer do norte um macaco da tinta pra mim. Vocês sabem o que é um macaco da tinta? Não? Eu digo... Ele é um primata que tem de cinco a quatro polegadas de comprimento e se alimenta de nanquim. Tomara que eu não tenha muitas boas idéias na época que ele chegar, pois dizem que o macaquinho é muito voraz e não deixa sobrar um golinho de tinta. Sem tinta, como posso ter memória?
No ano em que nasci, 1975, a guerra do Vietnã acabou. Sabe quem promoveu esta paz? O Sr Cosima. Ele foi jogado no meio de uma floresta daquelas por uma antiga namorada Youwarkee (metade mulher, metade pássaro), depois que ele partiu o coração dela. Só que por sorte ele conseguiu se agarrar numa plantinha num penhasco. E sabe qual era a planta? Uma mandrágora! Todo mundo sabe que as mandrágoras gritam quando são arrancadas, né? Então, a plantinha não suportou o peso do Sr Cosima e foi arrancada na raiz. Ela e o pigmeu gritaram tanto que todas as metralhadoras e bombas silenciaram. Por isso que o Sr Cosima não cansa de dizer que é um homem de paz.
Escrito por Narizinho
Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
...teve bom... E ainda deu tempo de ler um Capote.
Escrito por Narizinho
|